03/11/11
Vivendo um dia atrás do outro, você descobre que fazer todo dia os mesmos caminhos constrói zonas de conforto, nas quais é possível ter uma vida estável, prazerosa, até. Uma outra parte de você morre, sem o movimento. Não há sensibilidade que resista a passar a vida na mesma rua, na mesma casa, do mesmo quarto, com a mesma decoração, com as mesmas pessoas, com a mesma música tocando.
Nessa sucessão, alguma parte de você vai aprendendo que o seu ego te faz de marionete num teatro cansado. Por isso há que se descortinar o novo não idealizado, o novo que quer ser um inédito, pela poesia da batalha ou da dança, conforme se lute ou dance, com o desconhecido.
Quem se sente cansado, acha que é o exterior que está mal pensado, mas na verdade é o jardim da alma sem água. A repetição diminui o espectro criativo – quem tem que inovar precisa se renovar, recriar e expressar.
Era mentira que não há idealização, idealizo desde sempre uma dor que valha a pena doer, mais uma aventura, estar só e tranqüila, sem nenhuma perturbação. Totalmente alheia à ação das pessoas, que podem ser tudo de melhor e pior, na mesma medida.
Poder confiar, mesmo nas que desconfiam, mesmo nas que desprezam, mesmo as que vivem intensamente o dia, mas não amam. Por opção. Tudo idealizado. Nem meu coração é tão grande, nem meu poder de criação tão potente, mas vale sonhar.
Tudo se popularizou, eu me sinto tão produto de massa quanto as havaianas! E não tem nada de sonho nisso. Pensamentos tentam conciliar essa confusão interna/sim sou vida, possibilidades ..Nada - sou um ponto no meio do nada, a vírgula do texto do desconhecido.
Eu sou aquela que olha o povo e não sabe se ri ou se chora, pela divindade alheia ou por aquilo de cruel, sem escolha de nada. Se posso ser uma coisa, só uma de nada?
E todo o resto? E tudo?
Não sei quanto existe de liberdade.

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